Único bioma encontrado apenas em solo brasileiro, a caatinga perdeu 80 mil hectares de mata nativa - o equivalente a 80 mil campos de futebol - ao longo da última década, somente por conta da madeira utilizada para alimentar os fornos da indústria do gesso. A indústria está instalada do sertão do Araripe, onde se concentram 40% das reservas de gipsita do mundo e 95% da produção de gesso do país. Ontem a superintendência do Ibama em Pernambuco deu uma boa notícia: o percentual de mata nativa destruído para alimentar os fornos daquela indústria caiu de 80%, em 2004, para 20%, em 2008. Das 115 empresas visitadas em 2004 nos cinco municípios produtores - Ipubi, Araripina, Trindade, Ouricui e Bodocó -, 98 não tinham licença ambiental. Com a fiscalização, apenas 18 estão atualmente funcionando de forma irregular. O Ibama estima que a indústria de gesso consuma anualmente 550 mil metros cúbicos de madeira. Cerca de 80% dessa madeira, até 2004, era proveniente de desmatamentos clandestinos, o que provocava a destruição anual de 9 mil hectares de floresta somente para alimentar o setor. Mas, de acordo com o Ibama, depois da fiscalização e do licenciamento das empresas, o número caiu para 1,9 mil hectares. |