Uma obra da construtora MRV em Bauru (329 km de São Paulo) que recebe verbas da Caixa Econômica Federal pelo programa Minha Casa, Minha Vida foi parcialmente interditada nesta quarta-feira (11) após fiscalização do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho.
 
Os órgãos proibiram o uso de serra circular nas obras, por não haver proteção nem caixa coletora de pó, o que pode resultar na amputação de braços e em problemas pulmonares.
 
Os andaimes foram interditados, por estarem muito próximos da rede elétrica e por falta de aderência ao solo. O trabalho também foi proibido no interior dos prédios, onde havia falta de iluminação, inclusive nas escadas.
 
Ainda foram apontados problemas como a ausência de equipamentos de proteção, fiação exposta e fornecimento insuficiente de água potável. Um dos alojamentos, que tinha capacidade para 12 trabalhadores, chegou a abrigar 38.
 
"Sem lavatório, os trabalhadores escovavam os dentes no tanque de lavar roupa, tomavam banho frio e dormiam em colchões finos, mofados e no chão", afirma o procurador do trabalho responsável pela fiscalização, Marcus Vinicius Gonçalves.
 
Segundo ele, nem todos os cômodos tinham iluminação e a casa não tinha armários nem mesa, apenas um sofá. "Faltava também ventilação, o odor era forte porque o responsável pela casa nos disse que não limpava o lugar há meses", disse Gonçalves.
 
Na manhã desta quinta-feira (12), houve uma audiência entre o Ministério Público do Trabalho, a MRV e as empreiteiras Michel Henrique Nunes Acabamentos e ED Legnaro Construções ME, que, segundo relatos dos trabalhadores, não realizavam os pagamentos havia 45 dias.
 
"Dois trabalhadores ainda estavam no alojamento e foram encaminhados a um hotel. Eles poderão fazer a rescisão de contrato e retornar para o Maranhão", afirmou o procurador. "O grande problema é que essas empresas terceirizadas muitas vezes são de ex-trabalhadores pouco capacitados para administração e sem suporte financeiro."
 
A reportagem não conseguiu falar com os responsáveis pelas duas empreiteiras.
 
A MRV informou, em nota, que observa as normas de segurança e medicina do trabalho e que "a maioria dos itens relacionados já foram adequados ou não são reconhecidos pela companhia como irregulares".