RIO - De olho na valorização do terreno onde ficava o complexo penitenciário da Frei Caneca, no Centro, o estado vai transferir para São Cristóvão o projeto de construção de moradias populares, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, para famílias com renda de até três salários-mínimos. A ideia da administração estadual agora é vender a área da Frei Caneca, avaliada atualmente em cerca de R$ 100 milhões, e investir o dinheiro arrecadado em habitações populares no interior do estado, em municípios castigados pelas chuvas. A decisão foi divulgada na terça-feira por Flávia Oliveira, em sua coluna Negócios & Cia, no GLOBO.
Em São Cristóvão, a área é maior - são cem mil metros quadrados, contra 68 mil metros da Frei Caneca. Com isso, o número de apartamentos a serem construídos poderá ser ampliado: de mil para 1.500.
- Depois da chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) à região e de todo o investimento que será feito no Centro nos próximos anos, o terreno da Frei Caneca se valorizou muito. Estimamos o valor da área em até R$ 100 milhões - afirmou Leonardo Picciani, secretário estadual de Habitação, responsável pelo projeto.
A Secretaria de Habitação já concluiu a regularização do terreno em São Cristóvão, que pertence ao governo do estado e fica ao lado do Cadeg. Até o fim da semana será publicado um edital convidando empresas a enviarem propostas para a construção das habitações populares, a serem financiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. A Caixa Econômica Federal vai selecionar o melhor projeto.
- Com a venda, vamos aplicar os recursos no Fundo Estadual de Habitação, dentro do programa do governo de interiorização de unidades habitacionais - informou Leonardo Picciani.
As obras devem começar ainda este ano, de acordo com o governo, tão logo sejam concedidas as licenças tanto do estado como da prefeitura. O secretário de Habitação calcula que o empreendimento em São Cristóvão consumirá R$ 80 milhões em investimentos, sem contar as obras de infraestrutura e urbanismo.
Como na proposta original do conjunto que seria erguido na Frei Caneca, a ideia é beneficiar inicialmente moradores de áreas de risco dos morros da área central da cidade. Depois serão beneficiadas famílias cadastradas no programa (já são cerca de 150 mil). O plano do governo estadual é erguer, nos próximos anos, cerca de dez mil moradias populares.
 
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