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Construção civil e indústria são os sectores com mais emprego para recém-licenciados

Estes são os sectores em que mais empresas admitem, apesar da crise, aumentar as contratações de recém-licenciados, em 2011, segundo o inquérito da consultora MRI.

Para os recém-licenciados, as maiores oportunidades de emprego, este ano, encontram-se nos sectores da indústria e construção civil. Fora destes sectores e contrariando o desânimo que se vive no país, as notícias também são animadoras para os jovens que saem das faculdades e procuram o primeiro emprego, segundo o ‘Hiring Survey feito em Portugal pela consultora de recursos humanos MRI Network, que colocou às empresas uma pergunta em exclusivo para o Diário Económico: "tenciona aumentar, manter ou diminuir a contratação de recém-licenciados, em 2011, comparativamente a 2010?". E a grande tendência das empresas (62%) é para manter a contratação de recém-licenciados, este ano, em números idênticos aos de 2010.

A pergunta que se impõe é: como explicar que, em plena crise, tantas empresas continuem a recrutar e uma percentagem de 18% fale mesmo que tem planos para aumentar a contratação de recém-licenciados e apenas 2% tencione reduzi-la? "Não nos podemos esquecer que os recém-licenciados são uma mão-de-obra mais acessível sob o ponto de vista financeiro, para as empresas, comparativamente com profissionais mais experientes, pelo que não me surpreende que haja recrutamento deste tipo de perfis", responde Ana Teixeira, a ‘country manager da MRI, que realizou este inquérito no primeiro semestre de 2011.

Cerca de 65% dos responsáveis pelo sector da indústria pretendem manter e 27% aumentar mesmo a contratação de recém-licenciados e apenas 6% reduzir. Já no que se refere à construção civil e embora a tendência seja para manter (50%), são em número elevado - 38% - as empresas que tencionam aumentar este tipo de contratações, contra 12% que prevê reduzir.

Ana Teixeira faz questão de frisar que "é uma constatação nacional a elevada taxa de desemprego de recém-licenciados". Mas adianta que, em sua opinião, "a taxa de desemprego de quadros superiores com muita experiência é que se tem vindo a constituir como o padrão da actual crise".

Logo a seguir à indústria e construção vêm as tecnologias de informação, com 21% a dizer que vão aumentar a contratação de recém-licenciados e muito atrás as farmacêuticas e cuidados de saúde, com apenas 3%. Já na logística e distribuição não há nenhuma empresa a dizer que tenciona aumentar as contratações deste perfil de colaboradores sem experiência profissional, embora 62% digam que vão manter e nenhuma fale em reduzir.

A responsável da MRI lembra ainda que a crise, que agora se agudizou, teve o seu auge junto das empresas em 2009 e foi nesse ano que o ‘Hiring Survey revelou "dados históricos, com 46% dos inquiridos a manifestar intenção de reduzir os seus quadros de pessoal". O que está a acontecer, em sua opinião, é que desde 2002 que as empresas se têm vindo a "adaptar aos momentos conturbados que vamos atravessando".

Com a recente queda do Governo, vinda da troika para Portugal e a austeridade consequente que se adivinha, será que as empresas vão recuar quando responderem a este inquérito, no segundo semestre de 2011? "As decisões das empresas para contratar não me parecem estar tão decisivamente dependentes dos acontecimentos políticos, uma vez que têm vindo a adaptar-se à instabilidade que caracteriza os tempos modernos", defende ainda Ana Teixeira, e "já integraram no seu DNA este pressuposto e aprenderam a lidar com ele".

No que se refere à dimensão das empresas, a tendência para aumentar a contratação de recém-licenciados concentra-se nas de 51 a 250 colaboradores, enquanto em diminuir estão focadas as de 51 a 250 colaboradores ou as grandes empresas com mais de 501 trabalhadores.

Nenhuma empresa de TI admite reduzir pessoal

No que se refere a contratações em geral e já não aos recém-licenciados em particular, a tendência é, igualmente, para manter: 50% das empresas inquiridas respondem que vão deixar tudo como está a nível de quadro de pessoal, contra 57% no segundo semestre de 2010. Uma fatia de 32% vai mais longe e fala nos seus planos de aumentar os quadros, enquanto 18% admitem que poderão ter de reduzir pessoal.

É de salientar neste inquérito o facto de nenhuma empresa da área das tecnologias de informação ter planos para reduzir pessoal, em 2011, e apenas 4% na logística o admitirem. Estes dois sectores "surgem como os mais resistentes à turbulência dos tempos, pois a taxa de intenção de redução de colaboradores nestes sectores é muito baixa ou mesmo inexistente, face ao global da amostra", salienta Ana Teixeira.

No que toca à indústria, e numa conjuntura adversa como a actual, não deixa de ser significativo que 48% pretendam manter e mesmo 15% aumentar as contratações.

"Diremos que parte destes resultados é conseguida face ao aumento das exportações portuguesas. Nas empresas voltadas para o mercado interno, aí a situação é claramente diferente, fruto da actual situação político-económica que retrai o consumo privado", analisa Heldér Pais, ‘managing partner da MRI.

No que diz respeito à construção, outro ‘managing partner, Carlos Governa, admite que "esperaria resultados piores dado o ambiente recessivo, de concorrência exacerbada, margens esmagadas ou negativas e o momento político, económico/financeiro e social altamente preocupante que se vive em Portugal e no sector".

"Considero um valor muito positivo que a tendência de metade das empresas inquiridas seja para manter os seus quadros de pessoal. Sem dúvida que os tempos são desafiantes pelas dificuldades que encerram, mas parece que parte significativa dos dirigentes das nossas empresas se habituaram a navegar por águas turbulentas", conclui Ana Teixeira.

 

Fonte: spao.pt

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