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Trabalhadores podem voltar à greve em Rondônia

De acordo com o representante da Conticom (Confederação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e da Madeira), Cláudio Gomes, que participa das conversas em Porto Velho, a proposta das empresas foi tão insignificante que sequer saiu da mesa para a assembleia. Diante de tal postura, ele alerta para o clima de tensão que toma conta das obras.

“Há uma grande possibilidade da greve voltar, caso os consórcios não demonstrem maior flexibilidade no diálogo com os trabalhadores”, disse o dirigente, que, ao lado do Sticcero (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil em Rondônia), esteve no canteiro de Santo Antônio nesta manhã de sexta para distribuir um boletim informando sobre o andamento das negociações.
 
Vice-presidente do sindicato, Altair Donizete, conta que nada mudou após a definição das propostas emergenciais para os operários, da visita de parlamentares e até do ministro do Trabalho, Carlos Luppi às hidrelétricas. “Por mais que sejam pressionados e saibam da necessidade de negociar, estão agindo friamente como sempre fizeram”, disse.
 
CUT é contra demissões
Ao contrário do que divulgaram alguns jornais na sexta-feira (15), nem CUT, nem Sticcero fecharam qualquer acordo para a demissão de cerca de 6 mil trabalhadores de Jirau que foram enviados aos estados de origem quando dos conflitos no dia 15 de março. Porém, pondera o presidente da Central, Artur Henrique, tanto a entidade, quanto Conticom e Sticcero lutarão para que aqueles sem interesse em retornar às usinas tenham seus direitos garantidos. “Não permitiremos que a empresa deixe de cumprir com seus compromissos, incluisive indenizando os trabalhadores que tiveram os bens destruídos por conta da revolta ocasionada pela insatisfação com as precárias condições de trabalho”, pontuou.
 
Ele criticou ainda a manobra da empresa de contratar mais gente do que deveria. “Para acelerar as obras, recrutaram muito mais do que a estrutura montada em Jirau era capaz de suportar.”
 
A pressa está ligada ao desejo por elevar o lucro. Anúncios do próprio consórcio Enersus (Energia Sustentável do Brasil ), que tem a Camargo Corrêa como responsável pela construção de Jirau, davam conta de que a obra prevista para ser entregue em janeiro de 2013, teria a conclusão antecipada em 13 meses. Com isso, deixaria de pagar R$ 900 milhões aos operários e ainda poderia lucrar mais de R$ 2 bilhões pela venda no mercado livre da energia previamente gerada.
 
A dispensa arbitrária, porém, resultará no encerramento do diálogo. “As demissões de quem quer continuar vai quebrar o processo de negociação”, afirma Vagner Freitas, Secretário de Administração e Finanças da Central e dirigente destacado pela entidade para negociar pelos trabalhadores em Rondônia.
 
Mais um passo para o plano
Nessa quinta-feira (14), representantes da CUT e das demais centrais se encontraram em Brasília com membros do governo e empresários da construção civil para aprofundar as conversas sobre um acordo coletivo nacional para o setor.
 
Presente na reunião, o Secretário de Relações do Trabalho da Central, Manoel Messias, comentou que os primeiros eixos devem tratar da absorção da mão-de-obra. “Foram formados dois grupos para produzir acordos sobre a intermediação e a formação de mão-de-obra”, ressaltou. A próxima reunião ocorre no dia 12 de maio.
 
Secretário de Políticas Sociais da Conticom, Luiz Queiróz, o Luizinho, que também participou da discussão, acrescentou que os temas das melhorias no transporte dos operários e da segurança fizeram parte da pauta. “Cobramos a retirada da Força Nacional dos canteiros e do fim dos seguranças armados, verdadeiras milícias que existem em Jirau.”
 
Foram citadas ainda a criação de uma comissão com representantes dos trabalhadores no local das obras para resolver problemas do cotidiano das obras e o fim da diferença dos salários e benefícios dos contratados diretamente pelas empresas em relação aos terceirizados.
 
Outra solicitação da CUT foi a presença da Petrobrás na mesa de negociação como forma de evitar que os conflitos também tomem conta dos empreendimentos da companhia. “Muitos dos que trabalham em barragens, depois integram frentes de construção de refinarias. Não queremos que a realidade de Jirau e Santo Antônio se repita em outras obras no Brasil”, explicou.

Fonte: rondonoticias

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