Enquanto muitos comemoram o aumento do teto dos imóveis do programa "Minha casa, minha vida" de R$ 130 mil para R$ 170 mil, alegando que a mudança vai aumentar a oferta de moradias e o número de beneficiados, outros acreditam que a medida foi somente em favor das construtoras, e que servirá apenas para elevar o preço das unidades. Polêmicas à parte, o fato é que a alteração fará com que o valor da entrada de um financiamento de 25 anos aumente em 31% e o das prestações, em até 93%.
Segundo Marcelo Tapai, advogado especialista em mercado imobiliário, a União cedeu à pressão das construtoras, privilegiando o lado mais forte:
— Aumentar o valor do imóvel fará com que os preços subam. Por outro lado, o aumento da renda para R$ 5.400, no melhor dos casos, não consegue nem cobrir a inflação acumulada desde a criação do programa, em 2009. Assim, o governo vem cada vez mais eliminando compradores.
Na faixa de renda entre R$ 465 e R$ 1.395, a situação é ainda pior, já que ela não será modificada.
— Não adianta o governo destinar 60% dos investimentos para esta faixa, se a renda continuará a mesma, pois a oferta não vai acompanhar o aumento do número de beneficiados — disse Tapai.