Tem cheirinho de novidade e de polêmica no ar. A fumaça espalhada pelas churrasqueiras a carvão como sinal de que um vendedor de espetinhos se encontra nas proximidades terá de desaparecer do centro de Caxias do Sul. E o prazo para ela sumir vai até março, quando todos os comerciantes do produto deverão ter adotado a churrasqueira a gás nas quadras centrais. A prefeitura irá regularizar a atividade a partir deste mês, mas exigirá como contrapartida mais atenção a normas de higiene. Em bairros ou nas proximidades de estádios de futebol, o uso do carvão ainda estará liberado. Enquanto lojistas e pedestres comemoram a medida, alguns vendedores temem que a clientela caia em função da mudança do gosto do produto.
Os vendedores regularizados deverão instalar sua churrasqueira e retirá-la no fim do expediente diariamente. Também poderão optar por ter o equipamento dentro de um veículo, se este estiver adaptado para isso. O titular da Secretaria Municipal de Urbanismo, Francisco Spiandorello, explica que hoje o comércio de espetinhos na área central não é liberado pelo município. Um levantamento feito pela pasta aponta a existência de pelo menos 20 vendedores de churrasquinhos pelas ruas caxienses.
Há seis anos vendendo espetinhos no Centro, Noir Passaur Alves, 41 anos, será o primeiro ambulante a ser regularizado.
— A carne pega muito cheiro de fumaça com o carvão. O pessoal reclama muito da fumaça. Pelo menos 70% dos clientes não gosta porque sai com a roupa com cheiro. Na véspera do Natal, eu quase apanhei de um cara na rua por causa da fumaça — conta Alves.
Mas outros ambulantes acreditam que o assado no gás poderá reduzir a clientela. Atuando no Centro, Alexsandro da Rosa Mueller, 34, irá se adequar, mas não gostou da medida.
— Achei péssimo porque a nossa cultura é o churrasco a carvão. Não sei se um advogado, apoiado na cultura tradicionalista, não poderia até mesmo propor uma ação contra essa medida da prefeitura. O gosto da carne muda, não é a mesma coisa. No carvão, é melhor — acredita. 
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