Na Idade Média, as muralhas em torno de castelos e monastérios eram recobertas com vegetação, na maioria de espécies medicinais. Isso porque as plantas de cores fortes e perfumes penetrantes transmitiam um caráter exótico, e sua beleza considerada sensual era totalmente reprovada pelos padrões morais da época.
A atração exercida por essa elegante cobertura natural atravessou as barreiras de costumes para se mostrar, hoje, como um recurso paisagístico versátil no revestimento de muros e fachadas.
As espécies de trepadeiras autofixantes próprias para essas composições são chamadas de sarmentosas, pois são dotadas de gavinhas ou espinhos responsáveis por sua fixação às superfícies. Entre elas, a mais difundida de todas é a unha-de-gato. Com grande poder de cobertura, e raramente criando inconvenientes como a presença de insetos, fungos ou umidade, é apresentada nas versões Ficus pumila (de pequenas folhas escuras e que dá pequenos figos não comestíveis), Ficus pumila variegata e Ficus repens variegata (ambas com folhas maiores onde surgem manchas brancas). Devem ser plantadas a cada 50 cm durante o outono.
Outra opção está nos diversos topos de heras, como a Hedera canariensis e a Hedera helix, de vistosas folhagens presentes durante o ano todo. Multiplicam-se por meio de estacas de 10 cm retiradas de seus próprios galhos e plantadas a cada 50 cm.
Entre as que florescem estão a flor-de-trombeta, ou Bignonia radicans, que pede regas abundantes e insolação direta. Ainda da família das Bignoniáceas, a Campsis grandi-flora (proveniente do Japão e da China) se reproduz por estacas e dá grandes cachos de flores alaranjadas, enquanto a Doxantha unguis-cati, cujas flores lembram as do ipê, é ideal para revestir troncos e postes. Seja qual for a escolha, é sempre bom observar os métodos de plantio. Para que as plantas cresçam sem problemas, convém manter as paredes em seu estado bruto ou chapiscado. É que pinturas a cal, tintas à base de silicone ou látex podem causar danos às espécies, por serem químicas.
Os regimes de regas e podas de cada espécie escolhida devem ser muito bem observados: a melhor terra para as trepadeiras costuma ser a sílico-argilosa, misturada a esterco e farinha de osso. Para se obter um revestimento compacto e uniforme, as espécies devem ser plantadas rente à superfície, em covas de 1m de comprimento por 50 cm de largura e 30 cm de profundidade. Os muros de pedra, quanto mais rústicos mais bonitos ficam, pois se aproximam mais do desenho da natureza, sugerem caminhos tranquilos e sinuosos mesmo com pouca vegetação, se ela for abundante então fica perfeito. E não é por ser rústico e "simples" que é fácil fazer, não a execução em si, mas a composição do conjunto é que permite um arranjo harmonioso e bonito entre pedras, plantas, caminhos etc.
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