Existem oportunidades de trabalho na construção civil e também sobram vagas depois que o prédio fica pronto. O salário de um zelador disparou, já chega a mais de R$ 4 mil por mês.
Da construção para os prédios prontos. Os empregos sofrem um efeito cascata. “A mão de obra esta escassa na construção civil e isso gera escassez em toda a cadeia da construção civil. Não é só dentro da construção de prédio. Depois que a gente entrega também existe uma escassez dessa mão de obra”, garante Haruo Ishikawa, vice-presidente do Sinduscon.
Pedreiro vira faxineiro ou porteiro e o encarregado parte para zelador. “Tem muita gente que receba proposta, três prédios que entregamos ficaram funcionários nossos como zelador”, conta Ailton Novaes, administrativo de obra.
Eles começaram a obra do prédio quando estava no subsolo, conhecem cada coluna de concreto, onde passam os canos e onde vão ficar os fios da rede elétrica. Quando a obra ficar pronta, ninguém vai conhecê-la melhor do que esses trabalhadores. É uma mão de obra disputadíssima pelas administradoras de condomínio
Aos 23 anos ele é responsável por quarenta apartamentos. “Manutenção, elétrica, hidráulica, essas coisas eu conheço bastante. Se eu estivesse aqui já de cara, eu não teria como aprender. Na obra tem mais facilidade”, garante Orlando de Jesus, zelador.
Orlando trocou a administração de obras pelo cargo de zelador. Ganha R$ 1.500 por mês. Não tem despesa com água, luz nem aluguel. Sempre que pode indica os amigos para fazer bicos no prédio. “Todo mundo acaba ganhando. Eu indico alguém que faz direito e eles não têm a desconfiança de ser uma pessoal desconhecida”, acredita.
Os condomínios cresceram e ficaram luxuosos, chegam a ter 40 funcionários. O novo profissional precisa ter novas habilidades.
Tem zelador ganhando quatro mil reais por mês. “O zelador de antigamente era aquele que ficava sentado na portaria, conversando com os condôminos. Hoje não. Hoje ele tem que entender um pouco da parte hidráulica, entender um pouco da parte elétrica, ter noção de computação, porque a maioria do prédio hoje tem câmeras, equipamentos de controles de consumo de água. O zelador hoje não é uma figura simplória. Ele tem que ter conhecimento sobre aquilo que ele vai administrar”, explica Hubert Gebara, vice-presidente do Secovi/SP.
Já o salário de um faxineiro subiu acima da inflação. “Tem prédios que você tem três, quatro, cinco, dez faxineiros. O condomínio não visa lucro e nós temos que manter o equilíbrio entre a possibilidade de pagamento e a capacidade de pagamento dos moradores”, revela Hubert Gebara.
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